A catastrofização descreve um estilo de pensamento em que a pessoa imagina, automática e involuntariamente, o pior resultado possível em qualquer situação que enfrenta.
Esses pensamentos automáticos surgem muito rapidamente e, muitas vezes, nem percebemos que estão acontecendo. São exagerados, distorcidos e irreais. Essas alterações, que os psicólogos chamam de distorções cognitivas, podem se tornar tão frequentes que acabam abrangendo a maioria das situações que a pessoa vivencia.
A boa notícia é que esse tipo de pensamento é tratável e, para isso, contamos com o apoio terapêutico oferecido pelos nossos profissionais da Lyra Brasil.
Do ponto de vista médico — e este é o foco da minha reflexão — a catastrofização funciona como uma forma de ansiedade, ativando o que comumente conhecemos como estresse. O estresse, em nível corporal, afeta nosso sistema nervoso autônomo, responsável pelo funcionamento de órgãos internos, glândulas e músculos muito específicos, como os dos vasos sanguíneos, entre outros.
Essa parte do nosso sistema nervoso também pode ser dividida em dois sistemas funcionais: simpático e parassimpático. Ambos os sistemas, simpático e parassimpático, alcançam a maioria dos órgãos e estruturas internas do nosso corpo, geralmente exercendo efeitos opostos sobre a mesma estrutura.
Por exemplo, no nosso coração, os neurônios do sistema simpático aumentam a frequência cardíaca (taquicardia) e a força de contração, enquanto os neurônios do sistema parassimpático as diminuem (bradicardia). Nosso sistema simpático atua em situações de estresse agudo, preparando-nos para fugir ou lutar: dilata nossas pupilas para que possamos enxergar melhor mesmo no escuro; aumenta a frequência cardíaca para bombear mais sangue para os músculos; dilata nossas artérias para melhorar o fluxo de oxigênio; e assim por diante — tudo o que acontece quando algo nos ameaça.
Uma estrutura tão pequena quanto o hipotálamo, que pesa não mais que 8 gramas, é o ponto de conexão entre nossa mente e nosso corpo. Simplificando, o hipotálamo recebe informações sobre o que está acontecendo e envia sinais ao nosso sistema nervoso autônomo sobre o que fazer.
Todos nós já vivenciamos situações estressantes e sentimos seus efeitos em nossos corpos. Mas… imagine se esse sentimento não for real e for algo que nossa mente apresenta ao nosso cérebro, que então reage de acordo? Nosso corpo sofrerá o impacto das respostas do nosso sistema nervoso autônomo, exaurindo não apenas nossos recursos mentais, mas também os físicos, e nos impedindo de ter uma boa qualidade de vida.
Se você sente que esses pensamentos catastróficos surgem sem motivo aparente, ou se experimenta manifestações físicas inexplicáveis, como batimentos cardíacos acelerados, boca seca, constipação, aumento do açúcar no sangue, digestão lenta, entre outros, consulte seu médico e um profissional de saúde mental. Como mencionado anteriormente, a catastrofização pode não ser percebida pelo paciente em um nível emocional e se manifestará apenas fisicamente.